Vítimas da violência doméstica recebem apoio da Igreja Adventista
“No começo ele me agredia apenas (de forma) verbal, mas eu achava que ele iria mudar e que nunca seria capaz de me bater.” O marido da Dona Tânia* a ameaçava constantemente, mas ela não acreditava que aquilo poderia evoluir para agressões físicas. “Foi quando ele começou a me empurrar e me bater.” Tânia decidiu não ficar calada e quebrou o silêncio. Hoje ela aconselha mulheres que sofrem com a violência doméstica. “Não se cale, não tenha medo de falar. Procure os seus direitos.” Tânia foi só uma das centenas de pessoas que se reuniram no dia 28 de agosto em Maceió, AL, para quebrar o silêncio. Uma passeata promovida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia revelou o protesto de uma nação contra a violência causada à mulher. “Nós queremos mostrar que é preciso dar apoio para todo e qualquer tipo de violência. O lar se transformou num âmbito de agressões. E é preciso que os agredidos se sintam seguros e notem que a sociedade está pronta para apoiá-los.” Afirmou Salete Adorno, promotora de justiça.
A manifestação atingiu as principais ruas da capital alagoana e chamou a atenção dos curiosos e das autoridades públicas. Segundo o juiz de direito da Câmara, John Silas “a mulher geralmente resiste muito a denunciar o seu companheiro e prefere sofrer calada”. Ele também explica que ao procurar ajuda imediata, a mulher também está ajudando o agressor a não cometer mais tais crimes. Justamente com o objetivo de fornecer apoio às vítimas, a campanha Quebrando o Silêncio mostra que há auxílio político, jurídico, psicológico, social e religioso para os que enfrentam a violência doméstica.
Violência Silenciosa – Outro tipo de agressão comumente negligenciada é a agressão psicológica. Por não deixar marcas visíveis, normalmente não é vista como violência, mas deixa sinais profundos no interior da vítima. Além disso, são as agressões psicológicas que geralmente levam o agressor a evoluir para as agressões físicas. No caso de Dona Tânia, por exemplo, se ela tivesse denunciado o marido quando ele começou a ameaçá-la, provavelmente ela não teria sofrido a agressão física. Segundo a secretaria de enfrentamento à violência contra a mulher, qualquer tipo de constrangimento, humilhação, vigilância, exploração ou ameaça já é considerado uma violência e deve ser denunciado.
*O nome foi alterado para proteger a identidade da vítima.











