Perguntas e Respostas Sobre a Trindade
O conteúdo desse documento é parte das respostas dadas pelo Professor Leandro Quadro ao ser perguntado através de cartas sobre a trindade.
Prezado...,
Recebi seu material referente à trindade. Conquanto não acredite que debates ferrenhos proporcionem crescimento espiritual (e muito menos agradem a Deus), creio ser importante o bom diálogo, firmado no respeito e compreensão mútuas. Por isso, o presente estudo abordará de forma sucinta as seguintes questões: 1) É a doutrina da Trindade de origem bíblica ou católica? Nós Adventistas adotamos todos os aspectos da fórmula nicena? 2) Por que os pioneiros eram antitrinitarianos? 3) A regra de fé dos Adventistas do 7o Dia é a Bíblia ou a compreensão que os pioneiros tinham de algumas doutrinas? 4) Qual era a posição de Ellen G. White a respeito da Trindade? Como se desenvolveu sua compreensão acerca deste assunto? Seus comentários esgotaram todo o conhecimento que poderíamos obter do estudo dos textos bíblicos, principalmente em suas línguas originais? 5) Foram os seus textos, referentes à Trindade, “manipulados” de modo a favorecer uma posição Trinitariana? 5) Antes de 1980 algum líder da igreja, da época de Ellen G. White, forneceu algum posicionamento sobre a Trindade entre os Adventistas? 6) A doutrina da trindade contradiz a idéia da unicidade divina? 7) Por que é importante a crença em um deus Triúno?
Origem da Doutrina da Trindade
Com toda a certeza a doutrina da Trindade é de origem bíblica. O irmão deve estar lembrado que no material que lhe foi enviado anteriormente pelo amigo..., por mim elaborado, há um estudo acerca das expressões “outro” e “Consolador” encontradas em João 14:16. Vimos que o termo “outro” aí empregado, traduzido da palavra grega allov (allos), significa OUTRO DA MESMA ESPÉCIE, DIFERENTE. Já o termo “Consolador”, no grego é paraklhtov (parakletos), significa "advogado", "alguém chamado a estar do lado de". Somente um ser real pode ser parakletos.
Desta forma, como negar que o Espírito Santo seria OUTRO SER além de Jesus, DIFERENTE, possuidor da mesma essência divina? Não há como querido irmão! Se Jesus quisesse dizer que o Espírito Santo fosse apenas um poder de Deus não poderia ter usado “allos” neste texto!
Pergunto: quem é mais antigo: o texto de João 14:16 ou a igreja Católica? Obviamente que é o evangelho de João, escrito entre os anos 96 e 100 A.D. Assim, a idéia de que a doutrina da Trindade originou-se com a igreja Católica através de concílios está longe de ser verdade. O que estes concílios fizeram foi confirmar uma crença cristã bem anterior. Por exemplo, o objetivo do Concílio de Nicéia em 325 A.D. foi o de combater a heresia de Ário. Além disso, nós Adventistas não temos como autoridade tais concílios e não aceitamos certos aspectos defendidos por eles, entre os quais destaco aquela descrição do Filho como sendo “eternamente gerado”. Nossa autoridade repousa na Bíblia.
Sinceramente, negar a existência da Trindade e a personalidade do Espírito Santo sabendo que há o texto de João 14:16 nas Escrituras é o mesmo que negar a Bíblia Sagrada, trazendo para si a perdição eterna.
Portanto, sendo que a irmã Ellen G. White foi uma profetiza inspirada, tudo o que ela disse a respeito do Espírito Santo (e da divindade) de forma alguma poderia contradizer o que está em João 14:16 e nos demais textos que tratam da personalidade do Espírito Santo (Somente seres pessoais (Deus, seres humanos, demônios, etc) podem falar, amar, ter sentimentos – ver Atos 13:2, Romanos 15:30, Efésios 4:30, etc).
Por que os pioneiros eram antitrinitarianos?
Temos de reconhecer que a maioria dos principais pioneiros adventistas não criam na Trindade. Entre os poucos trinitarianos podemos destacar Ambrose C. Spicer, pai de William Ambrose, presidente da Associação geral. Deve-se também ressaltar que a declaração de Daniel T. Bourdeau em 1890 mostra-nos que nem todos eram unânimes no antitrininarianismo: “Embora afirmemos ser crentes e adoradores de um único Deus, tenho chegado a pensar que entre nós existem tantos deuses quantas são as concepções da Divindade” . Esta declaração nos leva a concluir que a igreja ainda não possuía um posicionamento oficial quanto ao assunto, de modo que hoje nós trinitarianos pudéssemos ser chamados de apóstatas...
Se você estudar com a mesma dedicação que tens feito nestes últimos meses a
respeito da Trindade e a origem desta crença entre os pioneiros chegará a conclusões surpreendentes. Primeiro verás que parte de nossos pioneiros vieram de um contexto religioso marcado pelo antitrininarianismo, entre eles José Bates e Tiago White, que vieram da Conexão Cristã. Assim, não devemos nos admirar com o fato de eles não terem aceitado a Trindade. Alguns deles inclusive eram semi-arianos; nem por isto iremos deixar de crer que Jesus é co-eterno com o Pai...
Segundo, os pioneiros rejeitavam um trinitarianismo baseado em credos, que contêm elementos não apoiados pela Bíblia. Com o passar do tempo, à medida em que pesquisavam sobre o assunto, o ensino aclarava-se em suas mentes.
A regra de fé dos Adventistas do 7o Dia é a Bíblia ou a compreensão que os pioneiros tinham de algumas doutrinas?
Conquanto os pioneiros tivessem sido pessoas sinceras e que muito, mas muito mesmo contribuíram para a formação de nossa doutrina (especialmente a do Santuário), não devemos esperar que eles fossem os detentores absolutos de todas as verdades, sendo que o conhecimento da verdade é progressivo e eles estavam aprendendo. Deus usou-os em sua esfera de ação e hoje usa-nos na nossa; isto significa que se temos um conhecimento privilegiado em relação a eles relacionado à Trindade, então vamos difundi-lo. Se aqueles poucos pioneiros tivessem tido maior luz sobre este assunto, certamente teriam mudado seus conceitos, do modo como o fez, por exemplo, Tiago White.
Se a interpretação da declaração da irmã White no MS 2, de 26 de agosto de 1855, que consta em seu material, que reza: “a mensageira do Senhor afirma que os adventistas já possuíam a verdade, e nunca mais seria necessário um esforço como o que havia sido realizado para trazê-lo novamente à luz” puder ser interpretada da forma apresentada, terás muitos problemas, pois antes deste período:
Em 1844 a irmã White, juntamente com alguns pioneiros, defendia a idéia da porta fechada;
Em 1844 ela observada o domingo com o se fosse o sábado;
Somente em 1855 que eles passaram a guardar o Sábado “de um por do sol a outro por do sol”; antes, para eles (inclusive para o casal White) o horário de observância do Sábado era observado das 6 horas da tarde de sexta-feira às 6 horas da tarde de Sábado;
Além disso, até 1863 a maioria dos Adventistas inclusive Tiago e Ellen White, comiam carne de porco. Portanto, dizer que em 1855 os adventistas já possuíam a verdade COMPLETA não condiz com a realidade. Não posso ver isto de outra forma que não seja ignorância quanto ao assunto ou fanatismo.
Mesmo tendo uma grande dívida para com os pioneiros e um profundo respeito por estes servos de Deus, nossa única regra de fé é a Bíblia Sagrada.
Qual era a posição de Ellen G. White a respeito da Trindade?
Se estudarmos os escritos da Sra. White destituídos de idéias preconcebidas chegaremos à pelo menos duas conclusões: 1. Seu conhecimento da Trindade foi gradativo; à medida que ia recebendo luz sobre o assunto expressava sua opinião e 2. Não se pode provar que em algum momento ela tenha sido contra a Trindade, a não ser em alguns aspectos que não condiziam com a Bíblia, entre eles o posicionamento do Dr. Kellogg, totalmente diferente do ponto de vista adventista e a declaração metodista que dizia: “existe um único Deus vivo e verdadeiro, simpiterno, sem corpo ou partes” .
Algo que percebi no material enviado e que não posso deixar de considerar é o fato de haver uma violência contra o texto bíblico de I Coríntios 2:10. Apenas esta “interpretação” deveria levar-nos a desacreditar toda esta apostila. Usar a declaração da Sra. White do livro Historia da Redenção, p. 18 para dizer que o Espírito neste texto é Jesus chega a ser ridículo, levando-se em conta que a irmã White, no livro supracitado, está falando noutro contexto que não é o mesmo de I Coríntios 2:10. Além disso, o autor está querendo testar a Bíblia pelos escritos de Ellen White ao invés de testar os escritos de Ellen White pela Bíblia. É óbvio que a Sra. White não estaria dando outra interpretação ao texto se não aquela dada pela Bíblia, de que o Espírito Santo é Deus. O dom profético “testemunha de Jesus” e não “muda as Palavras de Jesus”.
O verso 13 de I Coríntios 2 não deixa nenhuma dúvida que o Ser ali mencionado é o Espírito Santo. É dito que o “Espírito ensina”, harmonizando-se com o que Jesus disse em Lucas 12:12 e João 14:26. Se Paulo estava se referindo à Terceira Pessoa da Divindade em I Coríntios 2:10, é óbvio que a irmã White também o estava. Em sua declaração de que o Espírito deve ser uma pessoa divina (Evangelismo, p. 617) não há como ter dúvidas de que ela estava tratando do Espírito Santo e não de Jesus, pois seria redundante ela comentar a respeito de algo tão óbvio para todos (de que Jesus é uma pessoa). Prefiro ficar com a Bíblia e com a irmã White...
É de suma importância entendermos que os comentários da irmã White não esgotam os textos bíblicos. Há inclusive muitos versos não comentados por ela; nem por isto iremos negá-los. O nome hebraico que aparece para “Deus” em Gênesis 1:1 é “Elohim”, uma forma plural para Deus. Isto é apoiado pelo hebraico. Deste modo, negar a evidência bíblica quanto à Trindade em Gênesis 1:1 pelo fato de a profetiza não se deter neste verso é fazer algo bem do gosto de satanás, que nega a Palavra de Deus.
Ao fazer uso da expressão “façamos”, também plural, não há a mínima hipótese do Criador estar falando a outros senão ao Filho e ao Espírito Santo. Veja que o verso 2 de Gênesis 1 descreve o Espírito Santo como “pairando por sobre as águas”. Entretanto, “no hebraico o termo é “estar sobre”, assim como uma galinha fica sobre os seus ovos para chocá-los e trazer nova vida ao mundo. Da mesma forma o Espírito Santo pairou sobre a criação original de Deus para encher seu vazio com as várias formas de vida, de onde resultou o relato de Gn 1 e 2. Assim, desde o princípio o Espírito Santo estava ativo na criação, junto com o Pai e o Filho” Não há como negar a Divindade e Personalidade do Espírito Santo ao fazer-se um estudo honesto destes dois primeiros versos da Bíblia.
Foram os seus textos (de EGW), referentes à Trindade, “manipulados” de modo a favorecer uma posição Trinitariana?
O fato de nos manuscritos o Espírito Santo ser chamado de terceira pessoa em letras minúsculas em nada afeta a Sua divindade e personalidade. Isto é muito claro quando vemos que às páginas 669-671 do livro O Desejado de Todas as Nações Ellen White utiliza o pronome pessoal “Ele” em referência ao Espírito Santo, do mesmo modo que o faz o Novo Testamento, que emprega pronomes pessoais gregos em referência a Ele. Apenas em João 14-16 isso ocorre 24 vezes. Não há dúvidas de que a serva do Senhor estava em harmonia com a Bíblia no que diz respeito a este aspecto do Espírito Santo. É muito difícil imaginarmos que em todas as vezes que a irmã White faz menção de Mateus 28:19 em seus escritos esteja insinuando de que devemos batizar “em nome do Pai, do Filho e do poder...” Com certeza a Sra. White sabia que há três seres envolvidos nesta fórmula batismal.
O que mais importa não é se os textos estão em maiúsculo ou minúsculo, mas aquilo que está dizendo, de que o Espírito é uma pessoa (não sei como estas pessoas têm tanta imaginação de modo que não enxergam as evidências...) Os livros que apresentam o divino Espírito Santo em letras maiúsculas nem de perto tiveram o objetivo de deturpar os textos da Sra. White, mas apenas ressaltar algo em que ela acreditava. Não devemos acusar os tradutores de serem desonestos; isto não é justo.
Quero levar sua mente a refletir num importante texto: Colossenses 2:9. O termo “Divindade” aplicado a Jesus é no original theotes; isto significa que Jesus é a expressa imagem da Divindade. Interessante é que A SRA WHITE AO FAZER USO DA LINGUAGEM DE COLOSSENSES 2:9 APLICA-A AOS TRÊS MEMBROS DA DIVINDADE: “O Pai é toda a plenitude da Divindade”, “O Filho é toda a plenitude da Divindade” e o Espírito Santo “é toda a plenitude da Divindade” (Evangelismo, p.p. 614 e 615). Pergunto: isto se deu por acaso?
Antes de 1980 algum líder da igreja, da época de Ellen G. White, forneceu qualquer posicionamento sobre a Trindade entre os Adventistas?
Conquanto a posição Adventista do 7o Dia mais recente sobre a Trindade seja a votada na sessão da Associação Geral realizada em Dallas, Texas, em 1980, não há como negar que já havia um ponto de vista padrão sobre o assunto (inclusive nos escritos de Ellen G. White) a partir da década de 1940. Antes mesmo deste período TEMOS DOCUMENTADO algo muito valioso e que nos traz a verdade sobe o assunto. Veja esta afirmação surpreendente extraída do livro A Trindade – como entender os mistérios da pessoa de Deus na Bíblia e na história do cristianismo , p. 247 e 248: Seu apoio (de Ellen G. White) a uma visão bíblica da Trindade tornou-se tão explícito entre 1902 e 1907 que em 1913 F.M. Wilcox, editor do mais influente periódico denominacional e um dos cinco depositários originais indicados por Ellen G. White para assumirem a supervisão de sua herança literária, pôde escrever na Review and Herald, sem medo de ser contraditado por ela, que “os adventistas do sétimo dia crêem: 1. Na divina Trindade. Essa divina Trindade consiste do Pai eterno... do Senhor Jesus Cristo... e do Espírito Santo, a terceira pessoa da Divindade” (Wilcox, “The Message for Today, Review and Herald, 9 de outubro de 1913). Tal declaração, num artigo que sintetizava as crenças fundamentais dos adventistas do sétimo dia, apareceu imediatamente após um artigo escrito por Ellen White, de modo que é virtualmente certo que ao examinar a publicação de seu próprio artigo, como habitualmente fazia, ela tenha visto a peça escrita por Wilcox.”. (grifos acrescidos). Irmão: peço em nome do Deus Eterno para que ABRAS OS SEUS OLHOS e vejas se tal material que me enviou tem algum cabimento à luz desta poderosa evidência. SE ELLEN G. WHITE ERA CONTRA A TRINDADE, POR QUE NÃO REFUTOU AS DECLARAÇÕES DESTE SEU DEPOSITÁRIO? ISTO PROVA DE MODO INEQUÍVOCO QUE ELA ACREDITAVA NA TRINDADE! COMO VAIS ME NEGAR ISTO COM BASE NESTA DECLARAÇÃO QUE É DA ÉPOCA DA PROFETIZA, MOMENTOS EM QUE ELA ESTAVA BEM LÚCIDA A PONTO DE ESCREVER? Peço que ores a Deus sobre isto para que não entres em juízo.
Quero vê-lo debaixo da sombra da árvore da vida naquele dia que estivermos no Céu; para isto, aceite as evidências da Palavra de Deus.
A doutrina da trindade contradiz a idéia da unicidade divina?
De modo algum. A unicidade na pluralidade é uma idéia bíblica. Podemos ver isto comparando os textos de Deuteronômio 6:4 e Gênesis 2:24:“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.” Deuteronômio 6:4.
“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Gênesis 2:24.
As palavras que sublinhei nos dois textos, no original hebraico, são as mesmas: echad, que significa “um entre outros”. Do mesmo modo que Deus é “único”, “no sentido plural”, Adão e Eva eram “uma só carne no sentido plural”. Caso o texto de Deut. 6:4 estivesse negando a Trindade, Gen. 2:24 também deveria negar a “pluralidade” de Adão e Eva, que eles eram “uma só carne”.
Além disso, se Moisés quisesse negar que a Divindade é composta por mais de uma Pessoa, teria de ter usado a palavra yachid, que exclui a possibilidade de existirem outros seres inerentes a Divindade.
Assim, biblicamente, não há como refutar a idéia de unicidade na pluralidade. Fazer o contrário é colocar-se ao lado do erro.
Temos de aceitar o fato de que não podemos entender a Trindade em sua plenitude, pois “se somente um gênio pode entender outro gênio, somente um Deus pode entender outro Deus”. Entretanto, temos de acatar aquilo que a Bíblia nos revela se a temos como única regra de fé e prática e se queremos ser salvos.
Por que é importante a crença em um deus Triúno?
A crença na doutrina bíblica da Trindade é de proporções muito sérias (o espaço não me permite tratar de todas elas, mas recomendo-lhe que leias com urgência o livro A Trindade, lançado pela Casa Publicadora Brasileira). Primeiro porque envolve aceitar a revelação de Deus; segundo porque apenas um ser divino pode substituir outro ser divino. Caso o Espírito Santo não fosse Deus (lembre-se de João 14:16), teríamos de admitir que uma “energia” veio como Consolador para substituir a Cristo, o que seria uma blasfêmia. Como disse o comentarista L. E. Froom: “... Nada a não ser uma Pessoa poderia substituir aquela maravilhosa Pessoa. Nenhuma simples influência seria suficiente”. Terceiro, porque a unicidade da Divindade pode garantir-nos que é possível todo o universo estar em plena harmonia um dia.
Não rejeites o amor e a Pessoa do Espírito, pois desta forma estarás dando um grande passo rumo ao cometimento do “pecado imperdoável” registrado também em Mateus 12:31 e 32.
Considerações finais
Antes de dar seqüência ao nosso diálogo, inclusive no estudo dos demais textos da irmã White, quero que analise o que escrevi com muito carinho, em especial o estudo, com base no original, de João 14:16.
Não defendo a doutrina da Trindade porque algum administrador o ensina, mas porque tenho evidências suficientes nas Escrituras para isto. Com base em Atos 5:29 não creio que devamos atentar para um ensino que não esteja baseado num insofismável “Assim Diz o Senhor”. Esta igreja a qual sirvo (pois não tenho dúvidas de que é de Deus e que está sendo guiada por Ele. Creio no que disse a irmã White: “Ninguém - nem uma só pessoa - pode ir sozinho para o Céu. Deus tem um povo ao qual está dirigindo, guiando e instruindo. Eles devem estar sujeitos um ao outro, Se alguém intentar ir sozinho e independentemente para o Céu, verificará que escolheu o caminho errado que não o conduzirá para a vida...” [Este Dia com Deus - MM 1980]. “Deus tem na Terra uma igreja que é Seu povo escolhido, que guarda os Seus mandamentos. Ele está guiando, não ramificações transviadas, não um aqui e outro ali, mas um povo”. [Testemunhos Para Ministros, pág. 61]) me ensinou a ter a Bíblia como única regra de fé e agradeço a Deus por isto. Você deveria orar a Deus a respeito disto que disse a senhora White ao invés de arrumar justificativas para seu comportamento.
Não creio que a atitude de criticar a liderança provenha de Deus. Isto porque a igreja de Cristo precisa de pessoas que tragam idéias para que ela melhore e não de críticas destrutivas que visam indivíduos ou instituições. O foco das Três Mensagens Angélicas não é este... Se há pessoas que erram ao administrar, não compete a mim sair por aí difamando a igreja de Deus e muito menos adotar uma postura doutrinária diferente daquelas que crêem os líderes só porque estes são falhos seres humanos... Só posso encarar sua postura doutrinária (que nega a Trindade) mais como manifestação de raiva e de um espírito não perdoador (Mateus 18:22) do que convicção teológica.
Duvido que no dia do juízo possas justificar-se diante de Deus dizendo: “Senhor, não mais devolvi o dízimo porque Seus obreiros não o usavam corretamente”... Dizimar é uma adoração individual a Deus e não está subordinada ao tipo de carro que um pastor compra ou deixa de comprar com seu dinheiro... É minha manifestação de amor a Deus e por Seu evangelho. Não querido irmão: sua atitude não está baseada na Bíblia e nem no Espírito de profecia. Recomendo que com muita oração e reflexão leias Malaquias 3:8 e 9.Seu incidente com o pastor distrital
Não direi a você meu irmão que os pastores sejam perfeitos; fazer isto seria hipocrisia. Não conheço o pastor de sua cidade e por isto não posso comentar algo a respeito dele. Porém, se você se sentiu ofendido, certamente deverá procurá-lo e expor seus sentimentos. Tens o direito disto. Além do mais, deverá haver um perdão entre vocês dois, pois inimigos não poderão estar juntos no Céu.
Creio que sua atitude de defender-se é justa, mas o modo como o tentastes fazer não é recomendável. Isto porque o púlpito não é o lugar para isto (nem lugar para que o pastor fale mal de alguém), muito menos para a apresentação de “novas conclusões” a respeito de algumas doutrinas. Veja o que diz a Sra. White a respeito:“As palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito” - Profetas e Reis, págs. 624-626.
Certa vez ela escrever a respeito de Waggoner: “o pastor Waggoner tem acalentado idéias antes de submetê-las perante um conselho de irmãos...” - EGW a A.T.Jones, 14 de Janeiro de 1894. Creio que este princípio é aplicado também no seu caso: antes de expor seus pontos de vista, deverias submetê-los perante o conselho de irmãos mais experientes.
Perdão é o que você e o pastor precisam dar um ao outro.Voltando às questões sobre a Trindade.
Quanto a sua pergunta: “onde, na Sagrada Escritura, está escrito que o Espírito Santo é uma Pessoa ou é Deus?”, tenho que ser franco em dizer que somente alguém que esteja cegado por satanás não o vê. Desculpe-me pelo modo de expressar-me, mas tenho de alertá-lo do perigo no qual estás correndo. Se a Escritura apresenta o Espírito Santo como tendo capacidade de falar (Atos 13:2), testificar (Romanos 8:16), amar (Romanos 15:30), entristecer-se (Efésios 4:30 ), etc..., chama-O de “esse” em muitos textos (por exemplo, João 14:26), grego ekeinos, literalmente este mesmo, ele, no gênero masculino, como vais dizer que a Palavra de Deus não apresenta a este Ser como tendo personalidade?
Em relação a Sua Divindade, mostrei-lhe uma das maiores evidências bíblicas, João 14:16 e mesmo assim não conseguistes ver? Se o outro Consolador é da mesma espécie de Jesus, é óbvio que Ele é Deus. Se você me disser que o Espírito é algo que procede do Pai no sentido de ser um “poder que sai dele”, o mesmo terás de admitir em relação a Jesus!!! É isto mesmo! A palavra grega utilizada para descrever que Jesus “veio do Pai” em João 16:28 (exerchomai) procede da mesma raiz que a palavra ekporeuomai e também tem o significado de “fluir do corpo”, “emanar” (tratarei mais a respeito a seguir). Ora, se pelo fato de o Espírito Santo proceder do Pai indica que Ele é um poder ou glória vinda dEle, teremos de supor que Jesus também o é e deste modo aceitar a heresia de Sabélio de que Pai, Filho e Espírito Santo são três manifestações de um mesmo Deus, comparando assim o Senhor a uma ameba!!! Que é isto irmão?! O que está acontecendo com você? Não vês que estás se metendo numa armadilha que o prende ainda mais e o leva para longe de Cristo?
Com todo respeito, sua explicação de João 14:16 com “base” em João 15:26, conforme ouvi no Cd, não se harmoniza com o ensino bíblico. De modo algum Ekporeuomai significa apenas “sair de dentro”. Não sei em que fonte o irmão pôde basear esta barbaridade. Examine um léxico grego e verás que o termo significa também ir embora, sair, partir, escapar, proceder. A preposição primária (ek ou ex), que origina esta palavra, denota origem, (o ponto de onde a ação ou movimento procede) de, de dentro de (de lugar, tempo, ou casa; literal ou figurativo), por, fora de . Além disso, a expressão “enviarei da parte do Pai” em João 15:26 no grego “não significa ser impulsionado a sair, nem ser expulso. Refere-se a uma ação de sair na qual o atuante executa a ação sem pressões externas” . “Da parte do Pai” é uma expressão que no grego significa “ao lado de”, “perto de”.
Assim, toda a sua dialética em torno do texto torna-se nula pelo peso da evidência do próprio termo Ekporeuomai e do restante do texto. Aliado a isto está o fato de que o “outro” “consolador” no grego denota personalidade e não uma “glória procedente do Pai”. Por favor, irmão, não caia na cilada de usar textos bíblicos fora do contexto (bem como do Espírito de profecia) para provar esta idéia de que o “outro consolador” é a “glória do Pai” e não uma personalidade, porque isto é blasfemo. E mais:
1) O “outro” é da mesma espécie de Jesus. Um Ser Divino, portanto. Se fosse apenas algo vindo do Pai, Cristo também o teria de ser. Não uma glória procedente do Pai poderia substituí-lo, mas outro ou o próprio Pai. O fato de o Novo Testamento empregar inúmeras vezes pronomes gregos em referência ao Espírito prova isto.
2) O “Consolador”, o parakletos, é ALGUÉM chamado a estar do ladro de outro alguém”. Dizer que o “Alguém” é a glória do Pai é desconsiderar o significado deste pronome e cair em juízo perante Deus.
3) É óbvio que a irmã White não afirma que apenas Jesus é igual ao Pai. O irmão apenas usou o texto do Grande Conflito sem atentar para o fato de que no livro O Desejado de Todas as Nações a Sra. White por inúmeras vezes, do mesmo modo que o Novo Testamento, faz uso de pronomes pessoais ao referir-se ao Espírito Santo. Duvido que ela, bem como a Bíblia Sagrada, EMPREGASSE PRONOMES PESSOAIS para referir-se a uma energia ou “glória proveniente da Divindade”. A pessoa para fazer isto não está em perfeitas condições mentais. Prefiro crer que a profetiza era bem lúcida e que estava em harmonia com a Bíblia.
Há ainda outras evidências de que o Espírito Santo é Deus. Eis algumas:
• Ele é eterno: “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” Hebreus 9:14.
• Ele é onipresente: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?” Salmos 139:7.
• Ele é onisciente: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” 1 Coríntios 2:10-11 . “Do Espírito Santo procede conhecimento divino. Ele sabe de que a humanidade necessita para promover paz, felicidade e sossego aqui no mundo, e para assegurar o descanso eterno no reino de Deus”. Special Testimonies on Education, págs. 26-31.
• Ele é chamado Deus: “Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus.” Atos 5:3-4.
A construção no grego não deixa dúvidas de que ao mentir para o Espírito Santo Ananias mentiu para Deus (mente-se para uma glória impessoal?) e não para algum tipo de poder. Cuidado irmão! Negar isto é colocar-se ao lado das Testemunhas de Jeová e abandonar a verdade Bíblica. Diz a Sra. White: “Ananias e Safira praticaram fraude em sua conduta para com Deus. Mentiram ao Espírito Santo, e seu pecado foi punido com juízo rápido e terrível. Quando Ananias chegou com sua oferta, Pedro disse: "Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus." Atos 5:3 e 4.” Atos dos Apóstolos, p. 72.
• Pode ser blasfemado: “Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.” Mateus 12:31-32.
Pode-se blasfemar apenas de Deus. A blasfêmia só pode ser dirigida a um Deus Pessoal e, portanto, este texto constitui-se numa das maiores evidências da divindade do Espírito Santo. Pecar contra Ele não é apenas atribuir Sua obra a satanás, mas também rejeitar a Seus apelos: “Ninguém precisa considerar o pecado contra o Espírito Santo como coisa misteriosa e indefinível. O pecado contra o Espírito Santo é o pecado de persistente recusa de atender aos convites para arrependimento”. E Recebereis Poder (Meditações Matinais, 1999), pág. 35.
Portanto, não negues estas evidências que estão sendo-lhe mostradas, pois sua postura está endurecendo ainda mais seu coração de modo que não estás muito longe de pecar contra o Espírito Santo. Analise o que está em seu coração neste momento e vejas se não estou falando-lhe a verdade...
Interessante é que a irmã White diz que o Espírito Santo é onipotente, prerrogativa exclusivamente divina: “... Sabia que o evangelho do reino devia ser pregado a todas as nações para testemunho; que a verdade armada com a onipotência do Santo Espírito seria vitoriosa na batalha contra o mal, e que a bandeira sangrenta um dia haveria de tremular triunfante sobre Seus seguidores”. Atos dos Apóstolos, p. 21. “O onipotente poder do Espírito Santo é a defesa de toda alma contrita”. A Ciência do Bom Viver, p. 94. Será que a irmã White está dizendo “O onipotente poder do poder de Deus”? Pense nisto com carinho.
O fato de o Espírito Santo ser chamado de “poder de Deus” não faz com que Seja impessoal do mesmo modo que ao Jesus ser chamado de “leão da tribo de Judá” (Ap 5:5) não o torna um animal. O Espírito Santo é o poder de Deus porque é Deus e por ser representante do Pai e do Filho. Através de Sua função exerce o poder divino no coração das pessoas. “O Espírito Santo exalta e glorifica o Salvador. É sua missão apresentar a Cristo, a pureza de Sua justiça e a grande salvação que por Ele nos pertence. Jesus disse: "Ele... há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar." João 16:14. O Espírito de verdade é o único mestre eficaz da verdade divina. Quanto não deve Deus ter estimado a raça humana, para que desse o Seu Filho a fim de por ela morrer, e designasse o Seu Espírito para ser o mestre e constante guia do homem!” Caminho a Cristo, p. 91.
• Ele é Criador: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas.” Gênesis 1:2.
Vimos que no original o ato do Espírito pairar por sobre as águas indica Sua presença na criação. Não é correto dizer que confio “mais em Billy Graham do que em Ellen White” por que isto está longe de ser. Não é somente este comentarista que traduz este texto do hebraico, mas todos os sinceros estudiosos que conheço. Além disso, os testemunhos da irmã White não esgotam os textos bíblicos. Muito pode ser aprendido dos mesmos e, se assim não o fosse, ninguém poderia fazer pós-graduação ou doutorado e dissertar sobre determinados textos bíblicos (pois ela já teria dito tudo sobre o assunto...).
Quanto a lúcifer ser o “primeiro abaixo de Cristo”, a irmã White faz menção da uma hierarquia que não é divina. Deste modo, o Espírito Santo não poderia entrar em questão neste contexto (vimos também que o conhecimento dela sobre o assunto foi progressivo). Lúcifer é criado e, portanto, não pode ser considerado no mesmo pé de igualdade que Deus. Além disso, conquanto cada Pessoa tenha uma função na Divindade, isto não significa que fora do contexto da encarnação um seja superior ao outro. Se o fosse, teríamos de admitir por essa declaração da profetiza que o Pai é mais importante que Cristo.
Esta sua confusão quanto ao Espírito Santo se dá porque não entendestes que a procedência dos membros da Divindade um do outro se dá apenas no contexto da encarnação, pois ambos coexistem desde a eternidade. Quando a Bíblia fala que Cristo e o Espírito Santo procedem do Pai não está dizendo que estes são “deuses inferiores” ou “glórias que provêm dEle” mas que na encarnação eles tiveram outros papéis. Basta estudar a Bíblia com isenção de ânimo e isto ficará bem claro.
Textos bíblicos enviados
Creio ter feito menção sobre vários destes textos que mencionou bem como sobre as “mudanças” feitas nos Escritos de Ellen G.White (só que na carta anterior). Sendo assim, analisarei os principais textos que pedistes, pois após as considerações feitas no presente estudo quanto à função de cada membro da Divindade, ficará mais fácil compreender os demais versos que tratam da “subordinação” um do outro:Apocalipse 5:13-14 – quem está assentado no trono.
Anteriormente destaquei que as Três Pessoas da Trindade exercem funções diferentes na encarnação. O Filho glorifica o Pai e o Espírito Santo glorifica o Filho (e , por que não, o Pai também). Deste modo, não é de admirar o fato de o Espírito Santo não ser mencionado “diretamente” como estando assentado em um trono, pois este não é o seu propósito. Ele quer exaltar o Pai e o Filho.
Mas há um detalhe para o qual não atentastes: a Bíblia dá sim a entender a presença do Espírito Santo no trono Divino. É isto mesmo. A presença do Espírito Santo está subentendida em Apocalipse 22:1 na expressão “rio da (água da) vida” que sai do trono, pelo fato de a água ser um de Seus simbolismos “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” João 7:37-39. Além desta evidência bíblica, há referências literárias, inclusive da tradição judaica, que identificam o “rio da vida” com o Espírito Santo.II Coríntios 1:3 – Pai e Filho
O mesmo apóstolo no capítulo 13:13 menciona três seres e A CONSTRUÇÃO GRAMATICAL GREGA NÃO DEIXA DÚVIDAS DE QUE SÃO TRÊS SERES DIFERENTES. A palavra grega comunhão usada em II Co 13:13, que descreve a obra do Espírito Santo, sugere comunicações interpessoais entre seres relacionais, pessoais. Daqui não há com o fugir irmão. Ou você aceita a evidência bíblica de II Coríntios 13:13 ou deixa a Bíblia de lado. Qual será sua decisão?
“Em que consistia a força daqueles que no passado sofreram perseguição por amor a Cristo? Era a união com Deus, união com o Espírito Santo, união com Cristo”. Atos dos Apóstolos, p. 85. Duvido que neste texto a profetiza esteja colocando no mesmo pé de igualdade Deus Pai, Filho e um poder impessoal... De modo algum Jesus iria pedir aos discípulos em Mateus 28:19 para batizarem em nome do Pai, do Filho e do poder...
O fato de em alguns textos serem mencionados apenas Jesus e o Pai de modo algum significa que haja apenas dois seres na Divindade. Há ocasiões em que são mencionados três seres; inclusive há um texto em que o Espírito Santo é mencionado primeiro que o Pai e o Filho: “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” Efésios 4:3-6. Será que uma “energia provinda de Deus” poderia ter tal primazia em Efésios 4:3-6?
A seguir, gostaria que o irmão respondesse-me pelo menos as seguintes perguntas, com base nas duas últimas cartas que lhe escrevi:
1) Por que a senhora White usa pronomes pessoais para se referir ao Espírito Santo, do mesmo modo que o Novo Testamento? Se o Espírito Santo é a “glória de Deus” (impessoal), por que em João 14:26 (e em outros textos) Jesus emprega o pronome grego ekeinos, literalmente este mesmo, ele, no gênero masculino, para referir-se e Ele?
2) Por que a senhora White não contradisse em 1913 o senhor F. M. Wilcox, editor do mais influente periódico denominacional, amigo seu e um de seus indicados para assumir a supervisão de sua herança literária, quando este escreveu que “os adventistas do sétimo dia crêem: 1. Na divina Trindade. Essa divina Trindade consiste do Pai eterno... do Senhor Jesus Cristo... e do Espírito Santo, a terceira pessoa da Divindade” ? Lembro-o que esta declaração apareceu imediatamente após um artigo escrito por Ellen White.
3) Por que a senhora White ao fazer uso da linguagem de Colossenses 2:9 aplica-a ao Três membros da Divindade? “O Pai é toda a plenitude da Divindade”, “O Filho é toda a plenitude da Divindade” e o Espírito Santo “é toda a plenitude da Divindade” (Evangelismo, p.p. 614 e 615).
4) Se em 1855 os Adventistas já possuíam a verdade completa, porque então eles criam na teoria da porta fechada, guardavam o sábado a partir das 18:00 e comiam carne de porco (até 1863 os White, juntamente com outros, cevavam seus porcos), etc...? Alguns deles eram semi-arianos; nem por isto deixaremos de crer que Cristo é co-eterno com Deus. Waggoner, por exemplo, ensinava que “houve um tempo em que Cristo emanou e veio de Deus” . Uriah Smith dizia que poderíamos obter justiça sendo mais zelosos que os judeus da antiguidade em guardar e ensinar outros a guardar os mandamentos . Você adota estas posições atualmente por elas terem sido ensinadas por alguns de nossos pioneiros? Por aí se vê que a tese de que devemos ser unitarianos por causa dos pioneiros chega a ser ridícula.
5) Como irás provar-me que João 14:16, ao mencionar as expressões “allos” e “parakletos” não se refere à personalidade e divindade do Espírito Santo, levando-se em consideração que o termo “proceder” (Ekporeuomai) significa também “fora de”? Levando-se em conta que este texto é anterior ao início do catolicismo, como irás provar-me que a doutrina da Trindade não procede das Escrituras?
6) A quem pode ser dirigida uma blasfêmia? Não é diretamente a um ser real, pessoal e Divino?
7) Como entendes o significado de “Elohim” (Gênesis 1:1) em hebraico bem como do termo “echad” (conforme estudamos anteriormente, refere-se tanto a Deus em Deuteronômio 6:4 como ao casal do Éden em Gênesis 2:24)?
8) E o termo “pairava” sobre as águas? Como irás provar-me biblicamente que o mesmo não indica que o Espírito Santo era alguém que estava presente para dar vida ao planeta?
9) Se o Espírito não é um Deus Pessoal, por que é apresentado em Atos 15:28 como alguém que avalia ou aprova determinado curso de ação? Por que é descrito em Apocalipse 22:17, juntamente com a noiva, a igreja, Seu convite a cada pecador?
10) Se o Espírito Santo fosse um “poder”, como deveríamos traduzir, por exemplo, os textos de Lucas 4:14 e Atos 10:38? “Então, Jesus, no poder do Espírito (seria correto traduzi-lo por: no poder do poder de Deus?), regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança.” Lucas 4:14. “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder (seria lógico verter este versículo: com o poder de Deus e com poder?), o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” Atos 10:38. Veja que em ambas as passagens, o Espírito e o poder de Deus são mencionados.
11) Como explicas o fato de a expressão “enviarei da parte do Pai” em João 15:26 no grego referir-se a uma ação na qual um atuante executa a ação sem pressões externas”?
12) É por acaso que a expressão “rio da vida”, que possui íntima relação com a expressão “água da vida”, aplicada a Jesus, refira-se ao Espírito Santo? Por que isto ocorre? (lembrar de João 7:37-39).
13) Levando-se em conta que o termo grego para “comunhão” em II Co 13:13 refere-se a comunicações interpessoais entre seres relacionais, como irás provar-me que o apóstolo Paulo não estava dando um posicionamento acerca do “Trio Celestial” neste verso?
14) Por que em Efésios 4:3-6 o Espírito Santo é mencionado primeiro que o Filho e o Pai se ele não é um Deus Pessoal? Uma “energia” poderia estar à frente de dois membros da Divindade?
15) Se o Espírito Santo fosse apenas um “poder” para a Sra. White, por que ela O chama da “onipotente”, “pessoa divina”, “Mensageiro celeste” “hóspede”, “mestre eficaz da verdade divina” e “divino professor”?
Aguardarei com muito respeito seus comentários. Gostaria de obter respostas embasadas sobre estas considerações bem como sobre o que escrevi a respeito de I Coríntios 2:10-13. Quero de sua parte “a verdade como ela é em Jesus” (EGW).
Se continuares achando que deixei de analisar alguma coisa do que me enviou, sinta-se livre para cobrar-me a respeito. Com toda a certeza serei diligente em responder tudo aquilo que me for solicitado.
Não penses querido irmão que tenho a pretensão de saber mais que você ou de magoá-lo. Meu desejo é que não percas sua salvação por causa da heresia que tens abraçado ultimamente bem como aprender junto com você.
Sei que não será pelos meus argumentos, por mais conclusivos que possam ser, que irás aceitar a doutrina bíblica da Trindade, mas que somente o Espírito Santo, a terceira pessoa do “Trio Celestial”, poderá convencê-lo. Para isto, deverás abrir seu coração a Ele e perdoar seus ofensores.
Despeço-me com alguns textos para sua reflexão:
“Desejaria que todos os meus irmãos e irmãs se lembrassem de que é coisa séria entristecer o Espírito Santo, e de que este é entristecido quando o instrumento humano procura dirigir-se a si mesmo, e se recusa a entrar no serviço do Senhor porque a cruz é muito pesada ou muito grande o desprendimento. O Espírito Santo procura habitar em cada alma. Caso seja Ele bem-vindo como hóspede honrado, os que O receberem se tornarão completos em Cristo. A boa obra começada será terminada; os pensamentos santos, as celestiais afeições e os atos semelhantes ao de Cristo tomarão o lugar dos pensamentos impuros, dos sentimentos perversos e dos atos obstinados. O Espírito Santo é um divino professor. Se prestarmos atenção a Suas lições, tornar-nos-emos sábios para a salvação. Precisamos, porém, guardar bem nosso coração, pois muitas vezes nos esquecemos das instruções celestiais que recebemos e procuramos agir de acordo com as inclinações naturais de nossa mente não santificada. Cada qual deve travar a sua própria batalha contra o eu. Prestai atenção aos ensinos do Espírito Santo. Caso isso seja feito, eles serão constantemente repetidos até as impressões estarem como se fossem "gravadas na rocha para sempre"... Conselhos Sobre Saúde, p. 561. Grifos meus.
“Não tendes tido temor do Espírito Santo? Por vezes Ele tem vindo, com toda aquela influência que tudo penetra, à escola de Battle Creek, bem como às escolas de outras localidades. Acaso O reconhecestes? Dispensastes-Lhe a honra devida ao Mensageiro celeste?” Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 363.
“O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus. "Por que qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus." I Cor. 2:11”. Manuscrito 20, 1906.
Cordialmente,
Fonte: http://www.advir.com.br/sermoes/especial/debate_trindade/Debate%20III.htm











