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Desbravadores e inclusão social

19 fevereiro 2010

O Brasil de natureza exuberante e elogiado crescimento econômico deve explicações a uma parcela de seus filhos.

A vida não tem sido fácil para crianças e adolescentes de camadas pobres da população. Desde cedo eles têm de conviver com exploração, drogas e violência.

Em casos assim, a morte costuma chegar cedo.

O alerta é da Unicef: o assassinato de adolescentes responde por 45% da mortalidade nessa faixa etária. Já em relação a exploração sexual, em 76% dos casos são as meninas que sofrem abusos.

Em todo o país, as casas de passagem são espaços de refúgio para as vítimas de maus tratos.

Nesses lugares, meninos e meninas compartilham histórias de dor e abandono. Casos tristes em que a infância é negligenciada.

Felizmente, existem histórias de amor, solidariedade e esperança. Iniciativas como a da reportagem abaixo, em vídeo que mostra como os desbravadores estão ajudando essas crianças e adolescentes socialmente vulneráveis a buscarem a superação.

Os desbravadores existem no Brasil há 60 anos. São clubes de convivência que ensinam valores como respeito às pessoas e preservação do meio ambiente. Qualquer criança pode participar de um clube. Em Natal, graças a uma parceria com a prefeitura, foi criado um clube de desbravadores na principal casa de passagem da cidade. As reuniões acontecem toda segunda-feira.

Com os pés descalços, as crianças marcham. E é assim que elas recebem atenção, disciplina, orientação e afeto. Assista.

Termina o maior campori regional de desbravadores já ocorrido no mundo

17 fevereiro 2010

Disciplina e organização dos desbravadores surpreendeu imprensa potiguar

A imprensa do Rio Grande do Norte se surpreendeu. Todas as emissoras de TV da capital e também os grandes jornais acompanharam com atenção e espanto a minicidade formada no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, entre os dias 11 a 16 de fevereiro, quando 14 mil desbravadores brilharam no 3º Campori do Nordeste. Palavras como disciplina, controle, celebração, amizade, mensagens, gincanas, solidariedade, fé e muita festa, presentes em variadas reportagens que foram ao ar no período, mostram bem como o maior acampamento regional já realizado pela Igreja Adventista em todo o mundo cumpriu sua missão de levar a mensagem cristã por meio de crianças e adolescentes. “Estar aqui, junto com milhares de pessoas, sentindo a mesma experiência de fé, é motivo de muita alegria para mim”, disse Neizon Higino, 20 anos, um dos participantes do campori.  

Os números impressionam. Os 14 mil jovens que acamparam no parque de exposições representam, segundo o IBGE, mais de 60% das cidades do Nordeste, com população de até 10 mil habitantes. Foram 350 clubes, um milhão de litros de água, 14 toneladas de alimentos, 200 mil refeições servidas, 600 chuveiros, 250 banheiros químicos e mais de duas mil pessoas trabalhando como apoio para realização do evento.

“Tudo é incrível, estou vivendo os melhores dias de minha vida”, afirmou Andresa de Deus, 15 anos, vinda de Salvador, BA. Na noite de abertura, na quinta-feira, ela esteve na arena montada para a realização do principal encontro dos desbravadores, ocorrido diariamente. Ouviu do pastor Elmar Borges, líder de Desbravadores da Igreja Adventista para o Nordeste, e coordenador do campori, o apelo para que os desbravadores leiam mais a Bíblia Sagrada. “Queremos que vocês saiam daqui ainda mais apaixonados por Jesus”, empolgou-se o líder, sendo bastante aplaudido ao anunciar a doação de Bíblias personalizadas para todos os participantes.

Réplicas gigantes da Bíblia motivaram apelo ao estudo da Escritura Sagrada

O apelo para a dedicação ao estudo da Palavra de Deus ainda teve um momento especial, na abertura, quando os presidentes de sedes administrativas da União Nordeste Brasileira – escritório da Igreja Adventista para a região –, subiram ao palco carregando réplicas gigantes do livro sagrado. As cópias reportavam à campanha “Siga a Bíblia”, um marco de valorização do estudo das Escrituras em todo o mundo, ocorrido no ano passado. O pastor Otimar Gonçalves, líder de desbravadores para a América do Sul, reforçou o apelo para que os adolescentes gastem horas estudando a Bíblia. “Vocês têm nas mãos o guia definitivo para a vitória espiritual que tanto precisam”, disse. Recebida como um aforismo, o apelo do líder contribuiu para um momento inesquecível, quando milhares de vozes silenciaram para ouvir a oração proferida pelo pastor Geovani Queiroz, presidente da Uneb, num claro sinal de que a mensagem foi compreendida por todos.

Além da mensagem do pastor Otimar Gonçalves, os desbravadores contaram com a participação do líder mundial, pastor Baraka Muganda. Foram três noites de uma contagiante declaração de amor a Jesus e ao evangelismo, e de apelo para que os adolescentes adotem um senso de urgência para a pregação da mensagem a amigos e familiares. “Deus quer que vocês corram para levar a luz divina a todas as pessoas”, declarou, sendo saudado com acenos acalorados de aprovação ao apelo. Foi assim durante todas as noites, um clima de celebração e motivação para os ideais de salvação, comunhão e serviço defendidos pela Igreja. Cantores e grupos, como o quarteto Athus, o grupo de metais da Faculdade Adventista da Bahia, Laura Morena e Leonardo Gonçalves participaram com o louvor.

Baraka Muganda, líder mundial de desbravadores: "Run, pathfinders, run!"

Houve espaço também para homenagens. Em comemoração pelos 60 anos de história dos desbravadores no Brasil, os líderes que ajudaram a consolidar os clubes no Nordeste foram homenageados. Destaque para dois momentos: a homenagem ao pastor Antonio Brito, presidente da Missão do Oriente Boliviano, e ao pastor Erton Köhler, presidente da Divisão Sulamericana. Ambos foram líderes de desbravadores da Uneb e conduziram os dois camporis anteriores. O outro momento marcante foi a homenagem aos pioneiros de cada estado do Nordeste, em especial a menção à memória da assistente social e educadora Joselita Rodrigues, primeira mulher a fundar um clube de desbravadores no Brasil, no início da década de 60, falecida em janeiro de 2010.

A lembrança dos 60 anos dos desbravadores no país serviu também para uma prova curiosa. Cada clube foi desafiado a produzir um bolo temático, relativo à efeméride. Uma exposição com mais de 300 bolos atraiu a atenção dos participantes. Um deles, produzido por um clube de São Luiz, MA, levou mais de 10 horas para ficar pronto. Consumiu mais de 8 kg de farinha de trigo, e ficou com cerca de 20 kg, depois de pronto. Trazia referências às várias atividades desenvolvidas pelos desbravadores.

Durante o dia, o carrossel de atividades parecia interminável. Houve provas de ação comunitária, como a limpeza de praias e a entrega de brinquedos para crianças carentes. Provas de resistência, exercícios em rapel inclusive; houve execução de marchas, noções de adestramento de cães, com exibição pela polícia militar; também ocorreram provas de primeiros socorros. A estudante Hanna Góes, 14 anos, de Irecê, BA, viu nesse tipo de especialidade uma oportunidade para a vida. “Posso usar o conhecimento de primeiros socorros em meu cotidiano”, declarou.

Líderes de jovens do Nordeste no passado, os pastores Antonio Brito e Erton Köhler receberam homenagens

As provas de conhecimento pontuaram a rotina do campori. Mais uma vez, a Bíblia foi enaltecida, com testes como o concurso “Bom de Bíblia” e de oratória cristã, além de música sacra. A história da Igreja Adventista entrou em pauta com a campanha “Eu conheço minha história”, patrocinado pelo Ministério da Criança. O desbravador Elvis Medeiros de Melo, 14 anos, de Natal, RN, animou seu clube ao posar com o boneco Guigo, o mascote da campanha. O adolescente é o vencedor de um concurso de conhecimentos sobre a Igreja Adventista, patrocinado pelo projeto.

O chamado à missão teve um gosto especial com a realização diária de batismos. Adolescentes que já viviam em rotina de clubes de desbravadores deram testemunho público de conversão ao adventismo, através de batismo em um tanque estilizado que lembrava a logomarca dos desbravadores. Na segunda-feira, houve 14 batismos e um apelo para a participação de todos em campanhas missionárias.

A participação ativa dos jovens em projetos da Igreja depende da dedicação dos líderes. E não faltou motivação durante o campori, especialmente com a realização de uma das maiores investiduras já ocorridas na história do clube de desbravadores no Nordeste. Cerca de 400 líderes foram investidos e receberam a missão de servir de exemplo para a juventude. Papel desempenhado com afinco por Gilenio Pereira da Silva, 53 anos e um pioneiro dos desbravadores para o sul da Bahia. Gilenio tomou a decisão de viajar ao campori de bicicleta, percorrendo uma estrada de 1.563 km. Gilenio fez o trajeto em dez dias, perdeu quatro quilos com a viagem, sentiu febre e sofreu com problemas estomacais, mas chegou empolgado ao acampamento pela oportunidade que teve de parar em alguns lugares e evangelizar para as pessoas.

Ao final do evento, o pastor Elmar Borges aproveitou a realização de uma encenação sobre a volta de Jesus, e conclamou todos os participantes a consagrarem-se a Deus. Desse modo, acredita o líder, será possível estar vigilante e se preparar para o grande encontro. “Quem sabe o próximo campori não será realizado no Céu, para a alegria e refrigério de todos nós, disse.

Ao analisar as mudanças de comportamento dessa faixa etária, torna-se fácil entender a razão do sucesso do Campori de Desbravadores. Ao chegar ao clube, meninos e meninas se acostumam com uma rotina rígida e cheia de controle. Segundo estudiosos, essa é a receita da satisfação dos adolescentes com esse tipo de evento. “Ao adotar uma rotina rígida, os adolescentes, sem ter uma definição sobre a própria vida, sentem segurança; e ao propor gincanas, se atende ao desejo de competitividade comum a essa faixa etária”, disse a psicóloga Eliane Lira. Com uma receita assim, é fácil entender o sucesso dos desbravadores e de um evento como o Campori do Nordeste. Cansados, mas jamais desanimados, os desbravadores encerraram o acampamento com a certeza de que algo semelhante a um ritual de passagem aconteceu em suas vidas. “Tenho certeza de que não sou mais a mesma pelo tanto que aprendi aqui”, disse Stephanie de Sá, 15 anos, de Salvador, BA, não sem antes fazer o “v” de vitória com as amigas para a foto.

Vai começar o 3º Campori de Desbravadores do Nordeste

9 fevereiro 2010

14 mil crianças e adolescentes garantem o Campori do Nordeste como o maior acampamento de desbravadores do Brasil

Está tudo pronto. E o clima é de expectativa para a abertura do 3º Campori de Desbravadores da Igreja Adventista para o Nordeste. Em pleno Carnaval, mais de 14 mil adolescentes de oito estados da região nordestina estarão acampados no Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, RN, de 11 a 16 de fevereiro, para um encontro com muita alegria, música e consciência ambiental. Aos poucos, o parque de exposições da cidade começa a tomar a forma de acampamento. Cada clube procura demonstrar um jeito mais criativo de montar as barracas, um item que vai ser avaliado pela coordenação do evento.

Os desbravadores estão em contagem regressiva para assistir a uma programação que contará com a presença do líder mundial de desbravadores, Baraka Muganda. Também estarão presentes o líder para a América do Sul, Otimar Gonçalves, além do presidente da Igreja Adventista para a América do Sul, pastor Erton Kohler.

Não vai faltar demonstração, por parte dos desbravadores, de compromisso com a solidariedade e com a preservação do meio ambiente. Eles realizarão atividades como limpeza de mangue nas proximidades do Forte dos Reis Magos, limpeza de praias e orientação à população sobre o combate ao mosquito da dengue. Além disso, irão distribuir brinquedos para crianças de comunidades pobres do município. O acampamento será aberto à população no sábado, dia 13 de fevereiro, com entrada gratuita. Haverá desfiles executados por crianças e adolescentes, além de apresentação de fanfarras. Os desbravadores são agrupamentos de meninos e meninas com idade entre 10 e 15 anos, de diferentes classes sociais, cor, ou religião. Eles se reúnem uma vez por semana para aprender a desenvolver habilidades manuais, ações comunitárias e o gosto pela natureza.

Jovens da Casa de Passagem se tornam desbravadores

19 janeiro 2010

Prefeita Natal, Micarla de Souza, recebe líderes de desbravadores e da ADRA

No dia da inauguração da Casa de Passagem III, em Capim Macio, ainda no meio do ano, estavam entre os adolescentes e autoridades, uma equipe da organização do Clube dos Desbravadores, que desenvolve em todo o mundo atividades para jovens entre 10 e 15 anos. A pedido da Secretária Municipal de Trabalho e Assistência Social, Rosy de Sousa os coordenadores dos Desbravadores deram início a um trabalho de amor, alegria e espírito de aventura.

 “Esta é a idade é de mudanças, e na maioria das vezes, as crianças não estão preparadas. Não entendem o que está acontecendo consigo e muitas vezes não são entendidas. É uma fase de instabilidade, quando o juvenil se sente sem lugar”, ressalta o coordenador estadual do Desbravadores, Erinaldo Costa.
 A Casa de Passagem é uma modalidade de abrigo emergencial que tem como missão acolher crianças e jovens, que por algum razão, se encontram em caráter de risco ou vulnerabilidade social, pessoal ou emocional, e por isso o equilíbrio e a oportunidade de inclusão é tão importante para eles. “Sem dúvida esse foi um ano de grandes desafios e conquistas para toda a equipe que atua com as Casas de Passagem, em especial a III. Tivemos resistência da comunidade do bairro no momento da instalação da Casa, mas quando mostramos nossa proposta de trabalho acabamos por conquistar os moradores, que hoje são também nossos parceiros, assim como os Desbravadores que desde a inauguração participam ativamente para o desenvolvimento humano de cada acolhido. Somos gratos por esse trabalho com nossos jovens”, declara a secretária.
 
Ao todo 18 meninos e meninas participaram toda segunda das reuniões dos Desbravadores realizadas no própria Casa, com aulas sobre cidadania, amor ao próximo e a Deus, meio ambiente, habilidades manuais, entre tantos assuntos importantes. E agora no final do ano chegou a hora de mostrar os conhecimentos adquiridos. Uma prova foi aplicada, e 8 jovens conseguiram a aprovação, os demais continuam estudando para uma nova prova.
“A partir de agora eles saberão que tudo o que fizerem, na escola, na Casa, na rua, onde quer que estejam, deverá ser feito com excelência, da melhor maneira possível”, explica o coordenador.
[Do site da Prefeitura de Natal]